Blog de Radhanti Maharaj
Quinta-feira, 24 de junho de 2010
Segunda-feira, 31 de maio de 2010
Sábado, 14 de novembro de 2009
Quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Sábado, 10 de outubro de 2009
Sábado, 12 de setembro de 2009
Sábado, 4 de junho de 2009
Srimad
Bhagavad-gita I
Vamos dar
inicio a uma série de apresentações dos versos mais essenciais do Srimad
Bhagavad-gita com base na tradução de Srila Narayana Maharaj do sânscrito para
o inglês, onde estão inseridos comentários de Srila Visvanatha Cakravarti
Thakur, o guardião da Sri Gaudiya Sampradaya, a escola mais pura do tradicional pensamento
védico-vaishnava.
O Srimad
Bhagavad-gita é a essência de todos os srutis, Upanishads e Puranas. Baseado na
firme evidência da literatura védica recebida através da sucessão discipular
fidedigna (parampara), conclui-se que o mesmo filho do rei de Vraja (Vajendra-nandana
Sri Krishna) é a Personalidade de Deus Original (Svayam Bhagavam). Ele é a personificação de todas as doçuras nectárias
(akhila-rasamrta-murti), o onipotente (sarva-shaktiman) e a Realidade Absoluta
não-dual (advaya-jñãna-para-tattva). Entre
suas ilimitadas potências, três são proeminentes a potência interna (svarupa-sakti),
a potência marginal (tatastha-sakti) e a potência material ou externa
(maya-sakti). Pela vontade de Svayam Bhagavan Sri Krishna, Vaikuntha, Goloka e
Vrindavana (mundo espiritual) são as transformações de sua potencia interna.
Todos os seres (jivas) são a transformação de sua potência marginal, e a
criação material é a transformação de sua potência externa. As jivas são de
dois tipos: liberadas (mukta) e condicionadas (badha). As liberadas estão
eternamente ocupadas em saborear a felicidade
derivada do serviço a Bhagavan em Vaikuntha, Goloka e outras moradas
transcendentais. Elas são chamadas de nitya-mukta, eternamente liberadas,
porque nunca estão atadas a este mundo material, a prisão de maya. Às vezes
pela doce vontade de Bhagavan, esses seres aparecem neste mundo ilusório com
Seus associados com o único propósito de beneficiar a humanidade. O outro tipo
de jiva (ser) é chamada de anadi-baddha ou condicionada por maya desde tempos
imemoriais. Como resultado deste
condicionamento, as jivas sofrem os três tipos de misérias enquanto perambulam
no ciclo de nascimento e morte.
Segunda-feira, 22 de junho 2009
na
karnamam anarambhan
naiskarmyam puruso ‘snute
na ca sannyasanad eva
siddhim samadhigaccati
BG III.IV
TRADUÇÃO:
“Não é meramente se abstendo do trabalho que uma pessoa pode alcançar a
liberdade da reação, e nem somente pela renúncia ela obterá a perfeição.”
Neste
sloka do Sri Gita, Krishna, o Supremo Absoluto, ensina que jnãna não pode se
manifestar em um coração repleto de impurezas. Assim, se a pessoa não executa
as atividades prescritas nos shastras (escrituras) de acordo com sua posição,
não é possível alcançar naiskarmya, ou seja, não pode obter conhecimento. Essa
pessoa que por capricho abandona as atividades prescritas para o seu ashram, de
acordo com o sistema do varnasram dharma, (a sociedade perfeita de acordo com o
varna ou ordem social e ashram ou o refugio espiritual, asharya), está com toda
a certeza com o coração repleto de impurezas e seu interesse ulterior é tão
somente obter alguma forma de prazer mundano, sob a aparência de uma falsa
renúncia. Da mesma forma, as pessoas de coração impuro não podem alcançar a
perfeição simplesmente por aceitar a sagrada ordem de sannyasi, um dos
processos para se lograr a liberação.
A
perfeição não se manifesta, a não ser que o coração da pessoa tenha se
purificado, sob isso não se pode ter a menor dúvida.
Na
Kali yuga, tempos que estamos vivenciando há mais de cinco mil anos, ou a era
da querela, luxúria, ira e da irreligiosidade, por misericórdia da manifestação
mais liberal do Supremo, o Avatar Dourado, Sri Krishna Chaitanya Mahaprabhu,
foi legado para a humanidade um processo simples, que não requer nenhuma
qualificação prévia para praticá-lo: cantar os santos nomes de Krishna! Sob o
abrigo de um guru vaishnava ou instrutor qualificado, paulatinamente o coração
do devoto sincero vai se purificando e obtendo adhikari ou a elegibilidade para
alcançar naiskarmya, o conhecimento transcendental não contaminado com desejos
materiais.
Por
isso, em toda a literatura e nas pregações de nossos queridos mestres e
guardiões da devoção pura, suddha-bhakti, estamos a todo o momento sendo
incentivados a cantar o mahamantra “hare krishna hare krishna krishna krishna
hare hare hare rama hare rama rama rama hare hare” como a mais importante e
principal instrução para purificar o coração dos desejos mundanos grosseiros e
sutis.
Domingo, 21 de junho 2009
Há dois
tipos de entidades vivas, a saber: Nitya-Badhas e Nitya-Siddhas. As Almas
Badhas são aquelas que estão sujeitas aos três modos da natureza: Satya-guna,
Raja-guna e Tamo-guna. Já as Almas Siddhas podem ser divididas em duas
categorias: almas que já são liberadas antes mesmo de entrar em contato
com este plano mundano e as que através de sadhana, atingiram um estado de
perfeição, Siddhi. Agora, devemos compreender que estas classificações
aplicam-se tanto ao Guru como também ao discípulo. Ambos estarão
percebendo e realizando de acordo com o estagio ou
plataforma espiritual em que se encontram.
Sraddhvan jana haya
bhakti-adhikari
Uthama, madhyama, kanistha
sradha-anusari
(Madhya-lila 22.64)
“Um
candidato qualifica-se como um devoto na plataforma primaria, na plataforma
intermediaria e a plataforma mais elevada de serviço devocional de acordo com o
desenvolvimento de sua fé’”.
As
subdivisões para Gurus e discípulos podem ser avaliadas da seguinte forma:
Kanistha (neófito), Madhyama (avançado) e Uthama (liberado). No caso do
discípulo, (por via de regras) sempre estará em um plano inferior a de
seu Guru, pois, neste caso, ele (o Guru) é o fator iluminante ao
passo que o discípulo depende de suas concessões para que alcance um progresso
tangível em direção da Luz (Krishna). Devemos sempre ter em mente de que “Guru”
é aquele que nos promove aos estágios superiores de consciência.
Fonte: Guardiões da Devoção –
Link para quem desejar ler o trabalho completo clique AQUI
Quinta-feira, 18 de junho 2009
Os
alimentos e as combinações
(Um pouco de Ayurvéda)
Os alimentos possuem
uma ordem correta para serem ingeridos, tanto com relação ao sabor quanto com os doshas. Dessa forma, os alimentos Kapha devem ser os primeiros a serem ingerido,
em seguida, os alimentos Vata e, por
fim, os alimentos Pitta. A ordem de
ingestão destes alimentos segue uma seqüência lógica, na medida que os
alimentos mais pesados e de digestão mais lenta, como os alimentos Kapha, são ingeridos por primeiro,
terminando com Pitta, uma vez que o
fogo digestivo, agni estomacal (jataragni), é maior no início de uma
refeição do que no seu final. Durante o tempo em que a refeição se processa,
lentamente o fogo digestivo vai diminuindo, por isso é importante saber preservá-lo.
O sabor que deve ser
ingerido primeiro é o madhura-rasa; os alimentos doces, seguidos pelos
azedos, adstringentes, amargos, picantes e salgados. O arroz, apesar de ser um
alimentos madhura-rasa, deve ser
ingerido por último, pois proporciona
satisfação de saciedade.
No Ayurveda também é recomendado não misturar feijões com leite, mel
com alho; suco de frutas com alimentos farináceos, igualmente não se deve
misturar sucos de frutas ácidas com leite. As frutas que podem ser comidas
junto com alimentos ditos pesados são mangas, mamões, bananas e as frutas
secas, desde que combinadas devidamente.
Para evitar reações tóxicas,
alimentos como o mel, ghee (manteiga clarificada), os óleos em geral e a água, não devem ser
ingeridos em partes iguais numa mesma refeição, por isso devem ser combinados
de tal forma que mantenham uma boa proporção de diferenças entre eles.
Jamais deve ser cozido o mel
de abelhas, tampouco o óleo de oliva, mesmo no forno eles são tóxicos. O uso do
iogurte deve sempre ser acompanhado de no mínimo uma fruta e este alimento
deve ser evitado nas estações frias. O leite jamais deve ser ingerido frio,
deve sempre ser aquecido e bebido morno, pois senão aumenta muito o muco (Kapha) no organismo.
O Ayurveda condena comermos sem fome e bebermos sem sede, tampouco
comer quando se tem sede e beber quando se tem fome, uma vez que isso desregula
o fogo digestivo de modo muito dramático e pernicioso para a saúde do corpo e da mente.
Terça-feira, 16 de junho 2009
raganuga-bhakti
A palavra
“raganuga” literalmente significa “seguir com apego amoroso“, amor direcionado a Deus.
A prática de devoção é dividida em dois caminhos.
vaidhi raganuga ceti sa dividha sadhanabhidha (brs 1.2.5)
A palavra “vaidhi” deriva da palavra Sanscrita “vidhi”, a qual se
refere as regras severas das escrituras. A palavra “raganuga” é uma composição
de duas palavras, “raga”, “apego amoroso” e “anuga”, “seguindo o despertar de”.
As caracteristicas destes dois caminhos são explicadas da seguinte forma:
“Quando a devoção é causada pelas injunções escriturais, é chamada
de vaidhi-bhakti, mas quando é causada por intenso desejo espiritual, é chamado de raganuga-bhakti”
yatra
raganavaptatvat pravrttir upajayate
shasanenaiva
shastrasya sa vaidhI-bhaktir ucyate || (brs 1.2.6)
“Aquela devoção na qual não há apego ou intenso desejo, mas é estimulada por
regras e regulasses das escrituras, é conhecida como vaidhi-bhakti”
virajantIm abhivyaktam
vrajavasi-janadisu
ragatmikam
anusrta ya sa raganugocyate || (brs 1.2.270)
“A devoção que está claramente presente entre os associados do Senhor de Vraja
é chamada de devoção repleta de apego (ragatimika-bhakti), e devoção seguida do
despertar de ragatimika-bhakti e’ chamada de raganuga-bhakti”.
A
prática de raganuga-bhakti, apesar do
objetivo espontâneo, amor inato por Sri
Krsna, não é de natureza caprichosa. Os vários aspectos da prática de
raganuga
têm sido cuidadosamente descrita no material escrito pelos devotos
santos. Qualquer pessoa que deseje um progresso com respaldo
no caminho de raga deve estudar diligentemente as palavras e
ensinamentos
desses santos.
Segunda-feira, 15 de junho 2009
Néctares de Devoção
O
plano material é o plano do embuste e do equívoco, mas não há equívoco no plano
superior. (Swami B. R. Sridhar)
\
As
disciplinas espirituais objetivam purificar o coração. Quando o coração se
purificou — o amor (prema) que já
vive ali — simplesmente se manifesta. (Radharaman
Charan Das Babaji)
\
O
estágio em que a consciência da entidade viva está atraída pelos três modos da
natureza material (bondade - paixão - inércia) é chamado vida
condicionada. Mas, quando essa mesma
consciência fica atraída pela Pessoa Suprema, ela fica situada na
transcendência, na consciência de liberação. ( Bhagavatam, 3-25.5)
\
Não
tente compreender os assuntos inconcebíveis (acintya) com a lógica mundana, pois o significado de acintya é estar além da natureza material.
(Mahabharata, Bhisma-parva, 5.22)
\
Quem
comete pecados apoiando-se na força de cantar o santo nome (mantras) não pode ser purificado mesmo
praticando as regras e regulações da yoga
por milhares de anos. (Padma Purana,
Brahma Khunda, 25.16)
Domingo, 14 de junho 2009
A Verdadeira Posição da Alma
(2ª parte - final)
Os
Puranas analisam exaustivamente estas duas perspectivas e levam ao conceito
não-dual de uma existência vinculada à realidade da Verdade Absoluta. As
entidades vivas são partes integrantes da Verdade Absoluta e como tal não
necessitam de uma atmosfera dual para sua existência. Elas podem servir a esta
Verdade Absoluta num plano dualístico, material, que está sujeito às
vicissitudes dualísticas de existir e não-existir, e podem viver numa atmosfera
não-dual, livre dos inconvenientes de existir dentro dos limites de um corpo
físico e passar a não ter existência corpórea manifesta no cataclismo físico
denominado “morte.”
O
Srimad Bhagavatam, o Purana imaculado, define maravilhosamente este assunto num
diálogo entre Krsna e Uddhava. Krsna explicou estes conceitos de vida e morte
corpórea a Arjuna num campo de batalha, num momento decisivo e de muita
expectativa. Arjuna apesar de ser extremamente inteligente, por ter assimilado
todos os ensinamentos de Krsna em pouco menos de uma hora, era um guerreiro, um
kshatriya. Não é de se esperar que especialistas em artes marciais sejam
grandes filósofos.
Portanto,
Krsna fez questão de explicar detalhadamente os mesmos pontos filosóficos a
Uddhava, um pouco antes de abandonar este planeta. Uddhava era um grande
filósofo e além disso, era o ministro mais arguto de Krsna, sendo notável pela
sua inteligência e preparo psicológico. Ele era tido como o mais perito
analista de todas as circunstâncias duais que se pode conceber. Portanto, Krsna
tem o mesmo diálogo que teve com Arjuna, e que se tornou famoso com o nome de Bhagavad-gita,
com Uddhava e este diálogo está no décimo primeiro canto do Srimad Bhagavatam.
E a respeito do conceito de vida e morte corpórea, Krsna faz questão de
salientar a posição definitiva:
“Os
grandes filósofos analisaram os elementos materiais que constituem este cosmos
de muitas maneiras diferentes. Todas as propostas são razoáveis, pois todas são
apresentadas com extensa lógica. Estas propostas filosóficas são deveras
brilhantes. No entanto, estes mesmos elementos materiais são a causa do falso ego
e este falso ego torna-se a causa de toda ilusão e dualidade materiais.
O
argumento especulativo dos filósofos — ‘Este mundo é real’, ‘Não,
ele não é real’ — baseia-se em conhecimento incompleto a respeito da
Verdade Absoluta e visa apenas compreender as dualidades materiais. Embora esta
argumentação seja inútil, aqueles que
desviam a sua atenção de Mim, que sou a Causa de todas as causas, são incapazes
de abandoná-lo.
A
mente (que vive em função do falso ego), está presa às reações das atividades
materiais e sempre medita nos objetos dos sentidos. Portanto, a mente parece
que vem a ser e que depois sofre a aniquilação junto com os objetos de
percepção, e dessa maneira perde a sua capacidade de distinguir entre o passado
e o futuro.
Ao
passar do corpo atual para o próximo corpo criado pelas suas próprias
atividades materiais, a entidade viva absorve-se nas sensações agradáveis e
dolorosas do novo corpo e esquece por completo a existência do corpo anterior.
Este esquecimento total da sua identidade material anterior, causado por uma
razão ou por outra, chama-se morte. E o que chamam de nascimento é apenas a
identificação total da alma condicionada com o seu novo corpo. Ela
completamente iludida, aceita o novo corpo assim como alguém aceita sem
ressalvas a experiência de um sonho ou fantasia como sendo realidade. A alma
condicionada em seu corpo atual, embora tenha existido antes dele, pensa que só
recentemente veio a existir. E como a mente cria esta identificação com o novo
corpo, ela se envolve com a dualidade deste mundo.
Os
corpos materiais estão sempre passando por criação e destruição decorrentes da
força do tempo, cuja rapidez é imperceptível. Devido à natureza sutil do tempo,
ninguém nota estas mudanças. Aqueles que apenas desperdiçam a suas vidas
equivocamente, pensam e dizem que cada fase particular do corpo é a verdadeira
identidade do ser. No entanto, a entidade viva de fato não nasce e sendo
imortal não morre. É em virtude da ilusão material que o ser vivo parece nascer
e morrer.
Embora o corpo material seja
diferente do eu, devido à ignorância decorrente da associação material, a
entidade viva eterna equivocadamente se identifica com as condições corpóreas.
Contudo, às vezes alguém muito afortunado é capaz de abandonar semelhante
invenção mental. Quem compreende de modo realista a criação e destruição dos
corpos materiais já não está sujeito a estas dualidades. Mas o homem sem
inteligência, incapaz de distinguir-se da natureza material, pensa que a
natureza é real, e devido ao contato com ela, acaba ficando completamente
confuso e entra no ciclo da existência material, que o faz divagar por
diferentes corpos como reação às suas atividades dualísticas.”
Sábado, 13 de junho 2009A Verdadeira Posição da Alma
(1ª parte)
No
Srimad Bhagavad-gita, Sri Krsna diz a Arjuna a condição verdadeira da alma:
acchedyo'yam adahyo'yam / akledyo 'sosya
eva cha
nityah sarva-gatah sthanur / acalo yam
sanatanah
"A
alma individual é irrompível e insolúvel e não pode ser queimada e nem
seca. A alma é permanente, está presente
em toda parte, é imutável, imóvel e eternamente a mesma.” (Bg. 2. 24)
Krsna
declara que a alma é sarva-gata, onipenetrante. Ela pode agir em qualquer condição da
criação divina, quer sob os auspícios da energia externa, quer sob os auspícios
da energia interna de Bhagavan. E que além disso ela é acala, imóvel. Na
verdade a alma encontra-se na condição de tatashtha-sakti, a energia marginal de Bhagavan. Segundo as
autoridades no serviço devocional, esta energia se situa numa região
intermediária entre o oeano cusal e a criação material. A entidade viva (jiva) que se situa
nesta posição tem o livre arbítrio de escolher onde se abrigar. Ela pode viver
tentando desfrutar da posição de purusha na energia externa, sob as leis do dualismo, ou pode
desfrutar de uma vida mais saudável, como serviçal eterna dos sentidos do
Maha-purusha num mundo não-dual.
Os
Puranas levam à conclusão que desfrutar de uma atmosfera não-dual, apropriada
para uma entidade não-dual como a jiva, servindo aos sentidos de Bhagavan e
sendo reciprocada por Bhagavan com a gratificação de seus sentidos, é muito
mais saudável para a entidade viva.
Não
é possível conceber se o tatashtha é um espaço real ou virtual. O mundo
espiritual é acyntia, inconcebível para o padrão de raciocínio dualista.
Fracassamos ao imaginá-lo como um determinado local segundo os padrões
dualistas materiais. Como a alma é todo-penetrante ela pode estar em um
determinado local e simultaneamente não estar em local algum.
Lokas,
ou locais são espaços materiais. Na condição onipenetrante a alma desfruta de
natureza acintya bhedabheda, ou seja da inconcebível simultaneidade da sua posição
constitucional. Esta realidade dualista que vivemos é apenas uma realidade
virtual cri
ada pela energia externa. A posição auto-realizada onde se desfruta
prema é inconcebível para o pensamento material.
Praticamente
todo o conceito de vida na cultura ocidental está baseado num conceito de vida
corpórea; isto é, de identificação com o corpo físico. Há escolas filosóficas
que admitem o conceito da existência do conjunto corpo e alma como tendo sido
criados, ou passado a existir concomitantemente. O corpo seria perecível, mas a
alma eterna. Mas onde conceber uma eternidade vinculada a um momento inicial, a
partir da formação do conjunto alma-corpo? A eternidade não pode estar restrita
a um início, pois deixaria de ser eterna. Seria no máximo perene, mas não
absolutamente eterna. As escolas ateístas descartam a existência de uma alma
que sobreviva ao desaparecimento do corpo. Após a morte do corpo a entidade
viva estaria sujeita ao desaparecimento completo.
(segue...)
Sexta-feira, 12 de junho de 2009
Prema-bhakti
ei gupta bhava sindhu brahma na paya eka bindu
heno dhan bilaila
samsare
nahi jane stan astan,
jare tare kaila dan
mahaprabhu data siromani
Cc.
Madhya 2
"O gupta-bhava-sindhu (oceano de Vraja Prema
rasa) é secreto, pois mesmo Brahma não pode saborear sequer uma gota dele.
Contudo, Chaitanya Mahaprabhu distribuiu esse tesouro para aqueles que estão
lutando no samsara, a roda de nascimento e morte. Não considerando tempo ou
lugar, Mahaprabhu veio para dar essa riqueza a qualquer um que anseia por Ele
com Sua reputação de Data shiromani - o Supremo Doador."
Pela misericórdia de Sri Cheitanya Mahaprabhu o
elevado prema* que é durlabha
(inacessível) até mesmo para o Senhor Brahma, se torna sulabha (facilmente obtenível)
para as pessoas caídas desta Kali Yuga, a era das querelas e onde a
gratificação dos sentidos é o objetivo maior das pessoas. A única necessidade para se obter esse prema
trazido por Mahaprabhu é o desejo ansioso do devoto em de obtê-lo.
(*) – PREMA – Amor extremamente concentrado por
Krishna, que derrete por completo o coração do devoto e faz aparecer um
profundo sentimento de mamata (possessão) em relação com o Senhor Supremo.
Domingo, 7 de junho de 2009
Nosso
Dever Constitucional
É
absolutamente impossível se livrar dos anarthas da ira, luxúria e tudo
mais ao restringir-se a mente unicamente através das práticas de yoga,
jñana ou tapasya, sem fixá-la nos pés de lótus de Bhagavan. Quando
consideramos os objetos dos sentidos forma, sabor, aroma, tato e som
como sendo fontes de felicidade, meditamos neles com a mente
constantemente. Ao fazer isso, mesmo os grandes yogis desenvolvem apego
por eles. O apego leva ao desejo de desfrutar. Quando o desfrute é
obstruído, então surge a ira.
Da ira, surge a
ilusão, que aqui
se refere à perda da inteligência ou sabedoria, com a qual
discriminamos entre o que deve ser feito e o que não deve ser feito.
Dessa ilusão, ocorre a confusão da memória, o que significa que nos
desviamos da tentativa de controlar os sentidos. Quando a memória fica
confusa, a inteligência se acaba. Isso significa que o cultivo de
atma-jñana, ou conhecimento da auto-realização, é destruído.
Finalmente, quando a inteligência é destruída, há extinção total, ou
pranasyati. A palavra pranasyati, que usamos aqui, significa que nos
tornamos novamente imersos em desfrute sensorial.
A
conclusão
é que é impossível conquistar a mente incontrolável, sem que busquemos
refúgio em Sri Bhagavan. A mente descontrolada é a causa de todos os
anarthas severos. Portanto, aqueles que têm o desejo de controlar a
mente são obrigados a adorar o Senhor Supremo. Esse é o dever principal
e exclusivo de todas as entidades vivas.
QUEM PODE SER
CHAMADO DE BHAKTA?Primeiramente
aqueles que têm devoção em Deus, Bhagavan, são chamados de Bhaktas.
Srila Rupa Goswami escreveu — tad bhava bhavita svantah
krsna-bhaktaitiritah (BRS 2.1.273) “Aqueles cujos corações estão
repletos de sentimentos por Krishna são chamados de Krishna-bhaktas ou
devotos de Krishna” (*)
Utpanna ratayah samyak
nairvighnyam anupahatah
Kkrsna saksat krtau yogyah sadhakah
parikirtitah(BRS 2.1.276)
“Aqueles
cuja Rati (atração, apego) direcionada para Krishna está desperta, mas
que ainda não se livraram dos obstáculos, e aqueles que estão
qualificados para encontrar Krishna face-a-face são chamados de
“sadhakas”
Avijnatakhila kleshah Sada krsnashrita
kriyahSiddhah syuh santata prema Saukhyasvada parayanah(BRS
2.1.280)
“Aqueles
que estão livres de toda a miséria, tal como ignorância e consciência
corpórea, que estão eternamente engajados em serviço a Krishna, e que
estão sempre dedicados em saborear o êxtase de amor por Krishna, são
chamados de “siddhas.”No Décimo-primeiro Canto do Srimad
Bhagavatam o devoto mais elevado é descrito como segue:
sarva-bhutesu
yah pasyed bhagavad-bhavam atmanahbhutani bhagavaty atmany
esa bhagavatottamah(SB 11.2.45)
“Aquele
que vê o Senhor Supremo em tudo e tudo vê no Supremo e que relaciona
todas as coisas conscientes e inconscientes com o Supremo é o mais
elevado de todos os devotos."